quinta-feira, 28 de maio de 2015

«Ele gritava cada vez mais» Marcos 10,46-52.

Livro de Eclesiástico 42,15-26. 
Vou recordar as obras do Senhor e narrar tudo o que vi. Pela palavra do Senhor existem as suas obras, todas cumprem o desígnio da sua vontade.
O sol contempla todas as coisas que ilumina e a obra do Senhor está cheia da sua glória.
Não é possível aos santos do Senhor descrever todas as suas maravilhas. O Senhor todo-poderoso consolidou o universo, para que se manifeste na sua glória.
Ele sonda o abismo e o coração e penetra nos seus mais íntimos segredos.
Porque o Altíssimo possui toda a ciência e vê claro nos sinais dos tempos. Ele anuncia o passado e o futuro e revela os mistérios escondidos.
Nenhum pensamento Lhe passa despercebido e nem uma só palavra se Lhe pode esconder.
Dispôs harmoniosamente as maravilhas da sua sabedoria, porque só Ele existe desde sempre e para sempre.
Nada Lhe pode ser acrescentado nem tirado, nem precisa de nenhum conselheiro.
Como são belas todas as suas obras, apesar de não entrevermos senão uma centelha!
Todas vivem e permanecem para a eternidade e em todas as circunstâncias Lhe obedecem.
Todas as coisas seguem duas a duas, lado a lado; porque Ele nada fez incompleto.
Cada uma contribui para o bem da outra. Quem se cansará de contemplar a sua glória?



Livro de Salmos 33(32),2-3.4-5.6-7.8-9. 
Louvai o Senhor com a cítara,
cantai-Lhe salmos ao som da harpa.
Cantai-Lhe um cântico novo,
cantai-Lhe com arte e com alma.

A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

A palavra do Senhor criou os céus,
o sopro da sua boca os adornou.
Foi Ele quem juntou as águas do mar
e distribuiu pela terra os oceanos.

A terra inteira tema ao Senhor,
reverenciem-n’O todos os habitantes do mundo,
Ele disse e tudo foi feito,
Ele mandou e tudo foi criado.




Evangelho segundo S. Marcos 10,46-52. 
Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho.
Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim».
Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim».
Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te».
O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus.
Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja».
Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

«Ele gritava cada vez mais»

Que todo o homem que conhece as trevas que fazem dele um cego [...] grite a plenos pulmões: «Jesus filho de David, tem misericórdia de mim!» Mas ouçamos também o que se segue aos gritos do cego: «Os que iam à frente repreendiam-no para o fazer calar» (Lc 18,39). Quem são estes? Eles estão ali para representar os desejos da nossa condição neste mundo, promotores de confusão, os vícios do homem e o seu tumulto, que, querendo impedir a vinda de Jesus a nós, perturbam o nosso pensamento semeando nele a tentação, e querem abafar a voz do nosso coração que ora. Com efeito, acontece frequentemente que a nossa vontade de nos virarmos de novo para Deus [...], o nosso esforço para afastarmos os nossos pecados através da oração, é contrariado pela sua imagem; a vigilância do nosso espírito afrouxa ao seu contacto, eles semeiam a confusão no nosso coração, sufocam o grito das nossas preces. [...]

Que fez então este cego para receber a luz mau-grado estes obstáculos? «Ele gritava cada vez mais: 'Filho de David, tem misericórdia de mim!'» [...] Sim, quanto mais o tumulto dos nossos desejos nos acabrunhar, mais insistente deve ser a nossa prece. [...] Quanto mais abafada for a voz do nosso coração, mais vigorosamente ela deve insistir até se sobrepor ao tumulto dos pensamentos invasores e tocar o ouvido fiel do Senhor. Creio que todos nos reconheceremos nesta imagem: no momento em que nos esforçamos por desviar o nosso coração deste mundo para o reencaminhar para Deus [...], são muitos os importunos que pesam sobre nós e que temos de combater. É um enxame que o desejo de Deus tem dificuldade em afastar dos olhos do nosso coração. [...] Mas, persistindo vigorosamente na oração, deteremos no espírito Jesus que passa. Donde a narração do Evangelho: «Jesus parou e mandou que o trouxessem até Ele» (v.40)



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