quarta-feira, 3 de junho de 2015

«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração» Marcos 12,28b-34.



Livro de Tobias 6,10-11.7,1.9-17.8-4.
Naqueles dias, quando entraram na Média e já estavam perto de Ecbátana,
o Anjo Rafael disse ao jovem Tobias: «Esta noite ficaremos hospedados em casa de Raguel; ele é teu parente e tem uma filha chamada Sara».
Quando chegaram à cidade de Ecbátana, Tobias disse ao Anjo: «Irmão Azarias, leva-me imediatamente a casa de Raguel, nosso irmão». O Anjo levou-o a casa de Raguel, que encontraram sentado à porta do pátio. Eles saudaram-no primeiro e Raguel respondeu: «Sede bem-vindos, irmãos. Ainda bem que chegastes sãos e salvos». E levou-os para dentro de casa.
Depois de se lavarem e purificarem, sentaram-se à mesa. Tobias disse então a Rafael: «Irmão Azarias, pede a Raguel que me dê por esposa a minha prima Sara».
Raguel ouviu estas palavras e disse ao jovem: «Come e bebe e passa a noite tranquilo, porque ninguém tem mais direito de receber como esposa minha filha Sara, do que tu, meu irmão, nem eu tenho o direito de a conceder a outro, senão a ti, porque és o meu parente mais próximo. Devo contudo dizer-te a verdade, filho:
Já a dei a sete maridos da nossa linhagem e todos morreram na noite em que se aproximaram dela. Mas agora, filho, come e bebe». Tobias, porém, respondeu: «Não comerei nem beberei, antes que resolvas a minha situação». Disse Raguel: «Toma-a desde este momento, segundo a sentença do livro de Moisés. Pelo próprio Céu foi decidido que ela te seja entregue. Leva a tua prima para casa; doravante serás seu irmão e ela tua irmã. A partir de hoje, ela te pertence para sempre. E o Senhor do Céu, meu filho, vos faça felizes esta noite e vos conceda misericórdia e paz».
Raguel chamou sua filha Sara e ela aproximou-se. Tomando-a pela mão, entregou-a a Tobias, dizendo: «Recebe-a como esposa, segundo a lei e o decreto do livro de Moisés. Recebe-a e volta com ela, são e salvo para casa de teu pai. O Senhor do Céu vos dê boa viagem na sua paz».
Depois chamou a mãe da jovem e disse-lhe que trouxesse papel. Redigiu o contrato matrimonial, pelo qual dava Sara como esposa a Tobias, segundo a sentença da lei de Moisés.
Só então começaram a comer e a beber.
Raguel chamou sua mulher Edna e disse-lhe: «Irmã, prepara o outro quarto e leva Sara para lá».
Ela preparou o quarto, como lhe foi ordenado, e levou para lá sua filha. Chorou por causa dela; mas depois enxugou as lágrimas e disse:
«Tem confiança, minha filha. O Senhor do Céu transforme a tua tristeza em alegria. Tem confiança, minha filha». E saiu.
A seguir mataram um carneiro do rebanho e ofereceram-lhes cordial hospedagem.



Livro de Salmos 128(127),1-5. 
Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém
todos os dias da tua vida.




Evangelho segundo S. Marcos 12,28b-34. 
Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?».
Jesus respondeu: «O primeiro é este: ‘Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’.
O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que estes».
Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além d’Ele.
Amá-l’O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios».
Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-l’O.

«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração»

O primeiro e o maior mandamento é este: «Amarás o Senhor teu Deus». Mas a nossa natureza é fraca; e o nosso primeiro degrau no amor é amarmo-nos a nós próprios, antes de mais por causa de nós próprios. [...] Para nos impedir de resvalar por este declive, Deus deu-nos o preceito de amar o nosso próximo como a nós a mesmos. [...] Ora, constatamos que isso não é possível sem Deus, sem reconhecermos que tudo vem dele e que sem Ele nada podemos. Neste segundo degrau, o homem volta-se para Deus, mas ainda O ama apenas por causa de si mesmo e não por Ele. [...]

Mas é preciso ter um coração de mármore ou de bronze para não sermos tocado pelo auxílio que Deus nos dá quando nos voltamos para Ele nas provações. Nas provações, é impossível não saborear como Ele é bom (Sl 33,9). E depressa começamos a amá-Lo mais por causa da doçura que nele encontramos do que por causa do nosso interesse. [...] Quando estamos nessa situação, não temos dificuldade em amar o nosso próximo como a nós mesmos. [...] Amamos os outros como somos amados, como Jesus Cristo nos amou. É esse o amor daquele que diz com o salmista: «Louvai o Senhor porque Ele é bom» (Sl 117,1). Louvar o Senhor, não porque Ele é bom para nós, mas simplesmente porque Ele é bom, amar a Deus por Deus e não por nós próprios, é o terceiro degrau do amor.

Felizes os que puderam subir até ao quarto degrau do amor: amar-se a si mesmos só com o amor de Deus. [...] Quando saberá a minha alma, voltada para o amor de Deus, esquecida de si própria, não se julgando mais do que um vaso quebrado, lançar-se para Deus para se perder nele e ser um mesmo espírito com Ele? (1Cor 6,17). Quando poderá dizer de si: «A minha carne e o meu coração desfalecem, mas o Senhor é para sempre a rocha do meu coração e a minha herança» (Sl 72,26)? Santos e felizes os que puderam experimentar qualquer coisa de semelhante durante esta vida mortal, mesmo que raramente, mesmo que uma única vez. Esta não é uma felicidade humana, é viver já no céu.



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