sábado, 6 de junho de 2015

Poema «Vivo sin vivir en mí» «Ela, da sua penúria, deitou tudo» Marcos 12,38-44.

Livro de Tobias 12,1.5-15.20. 
Naqueles dias, Tobit chamou seu filho Tobias e disse-lhe: «Filho, agora deves pagar o salário ao homem que foi contigo e acrescentar alguma gratificação».
Tobias chamou-o e disse-lhe: «Toma como salário metade de todos os bens que trouxemos e vai em paz».
Então Rafael chamou-os à parte e disse-lhes: «Bendizei a Deus e louvai-O diante de todos os seres vivos, pelo bem que vos fez. Glorificai e exaltai o seu nome. Anunciai dignamente as obras de Deus a todos os homens e não vos canseis de O louvar.
É bom guardar o segredo do rei, mas é uma honra manifestar e proclamar as obras de Deus. Praticai o bem e nenhum mal vos atingirá.
É boa a oração com o jejum, é boa a esmola com justiça. É melhor possuir pouco com justiça, do que muito com injustiça. É melhor dar esmola do que acumular muito ouro.
A esmola salva da morte e purifica de todo o pecado. Quem distribui esmola viverá longa vida,
mas quem comete pecados e injustiças é inimigo da própria vida.
Manifestar-vos-ei toda a verdade, sem nada vos ocultar. Já vos disse e repito: é bom guardar o segredo do rei, mas é uma honra manifestar e proclamar as obras de Deus.
Pois bem. Quando oráveis, tu e Sara, eu apresentava o memorial da vossa oração diante da glória do Senhor e o mesmo fazia quando sepultavas os mortos.
E quando te levantaste sem hesitar para ir sepultar aquele morto, então fui enviado para te pôr à prova.
Mas Deus enviou-me também para te curar, a ti e a Sara, tua nora.
Eu sou Rafael, um dos sete Anjos que estão ao serviço de Deus, na presença da glória do Senhor.
E agora, bendizei o Senhor sobre a terra e louvai a Deus. Eu vou subir para junto d’Aquele que me enviou».



Livro de Tobias 13,2.6.7.8. 
Bendito seja Deus, que vive eternamente:
o seu reino permanece por todos os séculos.
Nas suas mãos está o castigo e o perdão, a vida e a morte,
nada e ninguém escapa ao seu poder.
Se vos converterdes a Ele de todo o coração
e praticardes a verdade na sua presença,

Ele voltar-Se-á para vós
e não mais vos esconderá a sua face.
Considerai o que Ele fez por vós
e proclamai bem alto a vossa gratidão.
Bendizei o Senhor da justiça
e glorificai o Rei dos séculos.

Na terra do meu exílio louvarei o Senhor,
anunciarei o seu poder e a sua grandeza
a um povo de pecadores.
Voltai-vos para Ele, pecadores,
e praticai a justiça na sua presença.
talvez vos mostre a sua benevolência

e use de misericórdia para convosco.



Evangelho segundo S. Marcos 12,38-44. 
Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças,
de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes.
Devoram as casas das viúvas com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa».
Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas.
Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante.
Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros.
Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».


Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita descalça, doutora da Igreja 
Poema «Vivo sin vivir en mí»
«Ela, da sua penúria, deitou tudo»

Vivo sem viver em mim;
E minha esperança é tal,
Que morro de não morrer.

Vivo já fora de mim
Desde que morro de amor;
Pois vivo no Senhor
Que me quis para Si.
Quando Lhe dei o coração,
Nele inscreveu estas palavras:
Morro de não morrer. [...]

Ah! que triste é a vida
Que não se alegra no Senhor!
E, se o amor é doce,
Não o é a longa espera;
Livra-me, meu Deus, desta carga,
Mais pesada que o ferro,
Pois morro de não morrer.

Vivo só da confiança
De que um dia hei-de morrer,
Pois pela morte é a vida
Que a esperança me promete.
Morte em que se ganha a vida,
Não tardes, que te espero,
Pois morro de não morrer. 

Vede como é forte o amor (Cant 8,6); 
Ó vida, não me sobrecarregues!
Vê o que apenas resta:
Para te ganhar, perder-te! (Lc 9,24)
Venha ela, a doce morte!
Que minha morte venha bem cedo,
Pois morro de não morrer. 

Esta vida lá do alto,
Que é vida verdadeira,
Até que morra a vida cá de baixo
Enquanto se viver não se a tem.
Ó morte, não te escondas!
Que viva porque morro já,
Pois morro de não morrer.

Ó vida, que posso eu dar
A meu Deus, que vive em mim,
Senão perder-te, a ti,
Para merecer prová-Lo!
Desejo, morrendo, obtê-Lo,
Pois tenho tal desejo do meu Amado
Que morro de não morrer.



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